Em 2026 celebramos a décima terceira edição da Semana da Composição, um evento anual organizado por alunos e professores de Composição da ESML.
27 de Maio, 4a feira, 11:00 - Sala 0.60
Subsídios para a morte do artista - Música contemporânea: a inocência perdida? - António Jorge Pacheco
Quanto mais faço amor mais vontade me dá de começar a Revolução; quanto mais Revoluções começo mais vontade me dá de fazer amor (graffiti nas paredes de Paris em 1968)
28 de Maio, 5a feira, 11:00 - Pequeno Auditório
_Peças-instrumento_? - Mariana Dionísio
Numa conversa sobre a maneira como aborda a composição enquanto improvisadora e performer, Mariana Dionísio partilha alguns dos mecanismos de composição que fazem do seu ensemble vocal LEIDA um instrumento.
28 de Maio, 5a feira, 11:40 - Pequeno Auditório - António Pinho Vargas
2. Depois posso olhar para composições que escrevi na tradição da música escrita europeia clássica ou erudita e posso medir o carácter milagroso que bastantes vezes se concretizou nas estreias ou nos concertos a que pude assistir. Para mim os aplausos do público ou, mesmo, os seus gritos são importantes.
De idêntico modo posso lembrar-me dos 3 dias das gravações do CD Lamentos — depois de 5 anos sem ouvir música com auscultadores — pude ouvir aquela música, aquelas 3 obras: a Sinfonia (subjetiva), os Concertos para Violino e Viola tocados pela Orquestra Metropolitana de Lisboa e as suas solistas Ana Pereira e Joana Cipriano, de forma admirável e muito comovente. Parece-me ser impossível ouvir aquele disco sem que paire no ar um espanto perante aquilo que é raro: falo da composição e dos intérpretes. Aparentemente, pode parecer um exagero, mas se for, estou muito convicto dele.
3. Fui professor 28 anos na Escola Superior de Música de Lisboa. A lista dos meus alunos é demasiado grande para aqui a poder referir.
Segunda parte: o sublime
4. Immanuel Kant no parágrafo número 49 da sua Crítica da Faculdade de Julgar ou do Juízo de Valor, trata das faculdades do ânimo que constituem a possibilidade de uma arte sublime. Segundo o filósofo francês Philippe Lacoue-Labarthe, Kant definia aí aquilo que considera “alma de uma obra”, “o princípio vivificante de uma obra”, “aquilo que lhe dá vida”, “o princípio vivificante de ânimo dos pontos este suplemento ou “acréscimo de vida” que excede aquilo que se poderia chamar, com Diderot (outro filósofo francês, mas este filosofo iluminista do século XVIII ) “a simples técnica”. Esta divisão não deixa de nos perturbar e enriquecer o pensamento.
5. Continuando a seguir Lacoue-Labarthe, a Alma é simples e literalmente o que anima um poema, uma narração, um discurso, este princípio não é nada além da faculdade de apresentação das Ideias Estéticas, dessas representações que dão “muito a pensar” sem que, contudo, qualquer pensamento determinado, isto é, um conceito possa ser-lhe adequado. Consequentemente nenhuma linguagem alcança inteiramente nem o pode tornar compreensível. Esta contestação do pensamento conceptual como diverso do pensamento estético percorre muitas páginas de Adorno.
Terceira parte: a composição
6. Neste ponto interrogo, ou melhor, interrompo a minha leitura de Kant sobre o sublime com Lacoue-Labarthe para isolar os aspetos principais: anima vs técnica, portanto ânimo (de Kant) versus técnica (de Diderot). Continuo: a técnica será o nosso conhecimento elementar sem o qual se pode dizer que “nós não sabemos música”.
7. Se não soubermos música não sabemos sequer o que acontece numa Sonata de Mozart, qual é a sua tonalidade, qual é o momento em que muda para a dominante, como é que o faz, qual é o percurso que ele conduz na progressão, para o tornar próprio da forma Sonata que, diga-se, raramente corresponde completamente à forma Sonata tipo. O modelo apresentado já depois da morte de Haydn, Mozart e Beethoven por Carl Czerny depois de 1820 como nos ensinas Charles Rosen, no seu livro The Classical Style.
Só li esse livro comprado entre 1979 e 80 é que fiquei a saber que a forma Sonata tal como nos era descrita nas aulas do conservatório de piano ou de composição nos anos 70 ou 80 era afinal aquilo que Czerny tinha procurado resumir do grande número de obras do estilo clássico.
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1 de Junho, 2a feira, 11:00 - Pequeno Auditório
Ópera em portugal, uma revolução em curso - Jorge Salgueiro
Com o surgimento em 2023 dos apoios dedicados à criação de ópera por parte da Direção- geral das Artes, novas formas de criar e produzir ópera surgiram em pequenas companhias. Irei abordar o caso que melhor conheço, o da Associação Setúbal Voz, e conceitos que aí surgiram, como a Ópera para Bebés, Ópera no Bairro, e novas formas de criar e formar públicos e novos intérpretes.
1 de Junho, 2a feira, 12:00 - Pequeno Auditório
A musicalidade do cinema como modelo composicional - Daniel Moreira
Música e cinema partilham um conjunto de denominadores comuns, enquanto artes do movimento, do ritmo e do tempo. Nesta comunicação, exploro algumas das consequências dessa afinidade no meu trabalho como compositor. Partindo de uma breve análise da musicalidade de certas práticas cinematográficas e da influência do cinema sobre o pensamento de vários compositores, percorro o modo como várias peças de minha autoria se inspiram na musicalidade do universo cinematográfico, em aspetos como a montagem, o movimento de câmara, a estrutura narrativa e o som.
1 de Junho, 2a feira, 15:00 - Pequeno Auditório
Workshop de Gestão de Carreira Artística - Vanessa Pires – Artway (sessão de 90 minutos)
Este workshop oferece uma visão prática e estratégica sobre a gestão de carreiras artísticas, nomeadamente na área da música. Com base na sua experiência como gestora de projetos, programadora artística e violoncelista, Vanessa Pires aborda temas essenciais para futuros músicos profissionais, tais como:
- Planeamento estratégico: como definir objetivos e posicionar-se no setor musical
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Comunicação e criação de portfólio artístico: conteúdos essenciais e principaisferramentas
- Gestão de projetos e financiamento: transformar ideias em propostas viáveis
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Criação de valor: ética profissional e networkingO workshop de Gestão de Carreira Artística, orientado por Vanessa Pires, é uma oportunidade para explorar de forma prática e estratégica os caminhos para construir uma carreira sólida no setor artístico. A partir da sua experiência como gestora cultural, programadora artística e agente, Vanessa partilha ferramentas essenciais para quem se prepara para o mundo profissional: do planeamento estratégico à criação de portfólio, da gestão de projetos e captação de financiamento à definição de uma identidade artística autêntica e comunicativa.
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2 de Junho, 3a feira, 11:00 - Pequeno Auditório
Neto da Costa apresenta o seu mais recente álbum “Luís Neto da Costa: Last Chamber Works” que conta com a gravações de seis grupos: Ensemble Suono Giallo, Sond’Ar-te Duo, Aleph Guitar Quartet, ars ad hoc, Ensemble Recherche e Vertixe Sonora. O compositor irá abordar a variedade de materiais e estilística presente no álbum: influência de música ambiente, ruídos suaves (uma espécie de ASMR), melodias microtonais subtis, alternância entre acordes com harmónicos e distorção/saturação, bem como influências do punk.
2 de Junho, 3a feira, 11:40 - Pequeno Auditório
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3 de Junho, 4a feira, 11:00 - Sala 0.60
Ti Chitas, a voz que é uma montanha: trajetos para a construção de uma ‘ópera- cancioneiro’ - Teresa Gentil | Inet-MD
Nesta comunicação proponho uma reflexão sobre o processo de criação literário-musical da ópera Ti Chitas, a voz que é uma montanha, estreada recentemente no CCB (26/02/2026). O projeto resulta de uma investigação etnomusicológica ao redor da voz da pastora e tecedeira Ti Chitas (Penha Garcia, 1913 - 2003), figura incontornável da música de matriz rural portuguesa.
A partir dos registos fonográficos da cantora e adufeira, construiu-se um objeto artístico em que a sua voz assume um papel estruturante, articulando memória(s), música, dramaturgia, espaço cénico e visual. A comunicação procurará evidenciar os trajetos de criação que conduziram à construção desta ‘ópera-cancioneiro’, refletindo sobre as possibilidades de transposição do arquivo etnomusicológico para o contexto da criação contemporânea.
3 de Junho, 4a feira, 12:00 - Sala 0.60
Criação e investigação artísticas nos territórios do «entre»
António de Sousa Dias | Universidade de Lisboa/CIEBA
Esta comunicação propõe uma reflexão sobre a relação entre criação e investigação artísticas a partir dos territórios do «entre»: espaços em que categorias como teoria e prática, som e música, obra e processo deixam de bastar para descrever certos modos de fazer. A partir de exemplos da minha prática enquanto compositor e criador no domínio da música, da criação sonora e de formas intermediais, procurarei mostrar como determinados processos artísticos não apenas mobilizam reflexão, mas constituem eles próprios formas de pensamento, experimentação e produção de conhecimento.
