EXPOSIÇÃO - Mestre Manuel Lima

Dados do Evento

Local:
Foyer da ESML
Repetições ou continuação:
aberta ao público a partir do dia 25 de Janeiro
EXPOSIÇÃO - Mestre Manuel Lima
24 Jan.
2019

A Escola Superior de Música de Lisboa vai expor por algum tempo, um autêntico tesouro artístico: trata-se de uma exposição com vários trabalhos de pintura da obra do artista Manuel Lima.

No seu trabalho artístico, Manuel Lima mostra a sua qualidade formal e tão peculiar de retratar a figura humana, por um lado e, por outro uma rigorosa observação da natureza. Mestre Manuel Lima passa através da sua obra, uma mensagem tocante pela verdade com que é transmitida e ao mesmo tempo pela transparência de processos e aparente simplicidade de execução. Estamos perante um dos maiores pintores da sua geração que, desenvolveu paralelamente outras atividades no campo das artes, sendo cenógrafo, muralista e professor.

Agradeço reconhecido, em nome da Escola Superior de Música de Lisboa, a disponibilidade da sua filha Margarida Velez para nos presentear com tão bela exposição.

Miguel Henriques

(Diretor)

Horário

SEGUNDA A SEXTA | DAS 9H ÀS 24H
SÁBADO, DOMINGO E FERIADOS| DAS 10H ÀS 20H

MESTRE MANUEL LIMA (1911-1991)

Manuel Lima nasceu em Nisa, Alentejo, a 10 de Junho de 1911. Evidenciou, ainda criança, talento para as Artes Plásticas. Frequentou o liceu, em Coimbra. Cursou, mais tarde, a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, onde teve por mestres, Simões de Almeida (sobrinho), Luciano Freire, Veloso Salgado, Henrique Franco e Varela Aldemira. Terminou o Curso Superior de Pintura com a classificação de 18 valores.
Obteve, muito jovem, (1926) o primeiro prémio, num concurso a nível nacional, para um cartaz. Era o precedente de muitos outros: Prémio “Miguel Ângelo Lupi”; “Medalha de Prata” da Sociedade Nacional de Belas Artes; Prémio “Gustavo Cordeiro Ramos” (1983), atribuído também pela Sociedade Nacional de Belas Artes, com o quadro “Mercador de Ilusões”; Prémio “Correio da Manhã” (1984), com o quadro “Maternidade”.
Marcou presença em exposições coletivas, entre outras, no Salão Bobone, em Lisboa (1931/32); na Galeria Espaço, no conselho de Évora (1932); numa exposição de Arte, em Lisboa (1935); na Missão Estética de Férias, em Tomar (1937); numa exposição no Mosteiro dos Jerónimos, de que também foi organizador (1979); na Galeria de S. Francisco (1981/84); no Palácio dos Coruchéus (1980/86); na Galeria d’Arte do Casino do Estoril (1990); na Maternidade Alfredo da Costa (1991).
Em 1932 começou a expor e continuou a fazê-lo regularmente durante cerca de 20 anos com o “Grupo de Artistas Portugueses”.
Participou, a convite de José Tagarro, no “Salão dos Independentes”, organizado por aquele pintor. Em 1992, participou na primeira Exposição de Artistas Alentejanos, realizada na Câmara Municipal de Santiago do Cacém.
Individualmente expôs na Galeria do Diário de Notícias em 1983 e, no mesmo ano, na Galeria Teoartes de Évora; em 1990 na Casa de Cultura D. Pedro V, (Mafra).
Trabalhou com o pintor António Soares nos painéis do Palácio da Assembleia da República; colaborou na Exposição do Mundo Português em 1940, sendo da sua autoria os arranjos decorativos e pinturas murais das salas “Oceania”, “Documentos” e “Ordens Militares”; apresentou na Exposição Histórica da Ocupação o painel “Os Navegadores”; integrou a equipa dirigida pelo arquiteto Miguel Jacobetty no Estádio Nacional.
Em 1931, foi convidado para trabalhar no Teatro e contribuiu com os seus dotes artísticos como cenógrafo nesta área, onde se manteve dedicadamente por largos anos.
Das numerosas maquetas e cenografias que concebeu e realizou, destacam-se: “L’Alouette”, de Jean Anouilh; “As mãos de Euridice”, de Pedro Bloch, com Rudolfo Mayer como protagonista; “Seis personagens à procura de um autor”, de Pirandello e encenada por Redondo Júnior; “Está lá fora um inspetor”, de Priestley, com João Vilaret; “O Mar”, de Miguel Torga, pelo Teatro Experimental do Porto e sob a direção de António Pedro; “Ana Cristina”, adaptação de Henrique Galvão, da obra de Eugene O’Neill; “Bailados e cantares de Portugal”, de Fernando Lima e Águeda de Sena.
Colaborou, como diretor de montagem, em várias revistas e operetas.
A partir de 1941 estendeu ao Cinema o seu contributo artístico, como maquetista, decorador e cenógrafo, nomeadamente nos filmes: “Camões”, de Leitão de Barros; “O desterrado”, de Manuel Guimarães; “O último crime de João Bolandas”, do romance de Domingues Monteiro, produção de Bourdin de Macedo e realização de Jorge Brun do Canto; “Vidas sem rumo”, realizado por Manuel Guimarães com argumento de Alves Redol e Guimarães.
Em 1952 foi para o Brasil, contratado expressamente como cenógrafo de teatro, cinema e televisão, mas apesar das ótimas condições que ali desfrutou, regressou em 1956 impelido pela saudade.
Fez parte, como maquetista e ilustrador, da redação do jornal dirigido por Augusto de Castro “A noite”, e do semanário orientado por Artur Portela “Mundo Gráfico". Entre 1965 e 1981 dedicou-se especialmente à pintura mural, à tapeçaria e à cerâmica, executando trabalhos para o Palácio da Justiça de Almada, Igreja de Alcoentre, Palácio da Justiça de Alcácer do Sal, Hospital de Portalegre, Câmara Municipal de Miranda do Douro e Capela do Hospital Egas Moniz em Lisboa.

A atividade docente que já tinha exercido nas Escolas Secundárias Afonso Domingos e António Arroio retomou-a, em 1956, como professor da Escola de Artes Decorativas António Arroio. Nesse mesmo ano prestou provas públicas para provimento de um lugar de professor do 5º. Grupo da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, obtendo o título de Professor Agregado.
Em 1974 foi nomeado professor efetivo na área de pintura, função que desempenhou até atingir o limite de idade em 10 de Junho de 1981; tendo feito parte da Direção da Escola, nunca deixou de dar aulas aos seus alunos.
Continuou a trabalhar e a dar aulas particulares no seu atelier no Palácio dos Coruchéus em Lisboa.
Pertenceu à Academia Nacional de Belas Artes.
Está representado no Museu de Arte Contemporânea e muitas das suas obras integram coleções particulares, quer no país, quer no estrangeiro, sobretudo Espanha, França, Alemanha e Brasil.
Após a morte do pintor em 1991, a família do Mestre Manuel Lima propôs-se efetuar uma série de exposições com as obras do artista. Duas exposições já foram realizadas em 1992, uma no Padrão dos Descobrimentos, sob o patrocínio da Câmara Municipal de Lisboa e outra, na Casa da Cultura D. Pedro V, promovida pela Câmara Municipal de Mafra.

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