Em 2026 celebramos a décima terceira edição da Semana da Composição, um evento anual organizado por alunos e professores de Composição da ESML.
Programa:
CONCERTOS
CONCERTO 1 - 3ª feira, 2 Junho 2026 às 20h - Auditório Vianna da Motta
Laboratório de Música Mista José Luís Ferreira da ESML & ESML.PERC
Vera Carvalho - i m p a s t o | Grupo de Percussão da ESML **, Marco Fernandes, direção
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i m p a s t o
Baseado no quadro Starry Night Over the Rhône, de Vincent Van Gogh
texturas. gestos. atmosferas. são as palavras que definem esta obra.
Surge de uma técnica textural da pintura, com o mesmo nome, aplicada como forma de criar altos e expressivos relevos, através de uma aplicação densa da tinta,
e frequentemente utilizada por Van Gogh. Meses antes de ser internado,
Vincent pinta Starry Night Over the Rhône (1888).
O quadro sobre o qual esta obra se constrói é caracterizado, a olho nu, pela beleza e serenidade de uma noite sobre o rio francês, mas, no seu interior, o pintor vive
uma desordem e inquietação constantes.
Esta obra para ensemble de percussão, pretende representar esta ideia de texturas,
ao focar-se na organização do som e no gesto, realçando um lado introspetivo que
procura traduzir a dualidade entre o visível e o invisível, algo para além do que os
olhos (e os ouvidos) veem (e ouvem).
Tomás Duarte - Borboleta | Grupo de Percussão da ESML **, Marco Fernandes, direção
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Para ensemble de percussão, “Borboleta” tem como objeto temático “Teoria do Caos”
A premissa de que pequenas variações num sistema complexo produzem resultados imensuráveis e imprevisíveis em alguns casos.
Dividida em três andamentos, o desenvolvimento da peça é usado para ilustrar a passagem do tempo e o embate entre o desejo de controlo e a realidade das circunstâncias. Convida à aceitação da vida como ela é, pela simplicidade,
não de um destino místico, mas da natureza factual e imprevisível da existência.
Estevão Chissano - O último suspiro |Carolina Carneiro- Trompa, Pedro Pádua - Eletrónica
Esta peça foi concebida no momento em que ainda atravessávamos a pandemia. A humanidade foi encontrada desprevenida, este ser tão cheio de si e quase autosuficiente, mergulhou na fragilidade. O oxigénio tornou-se notável e caro para muitos e infelizmente vários viram os seus familiares e pessoas queridas dando o seu último suspiro. Nesta situação, enquanto o vírus ia tirando de nós pessoas conhecidas, nos agarramos esperançosos na ciência, usando a nossa inteligência para a cura e alguns tendo os olhos postos no Divino. Sendo uma situação que não escolheu raça, nação ou religião, a trompa cria uma ponte oportuna entre as diferentes sociedades pois a sua história começa há milhares de anos, quando o homem aprendeu a usar chifres de animais, ou seja, cornos, como instrumento. Também achei oportuno ter na mesma obra no mínimo duas religiões representadas, a Cristã e a Islâmica. O áudio em árabe é um convite a oração e o outro áudio que é em latim, temos uma oração em que se pede a paz. Esta obra pretende ser, coroado pelo timbre nobre da trompa, um momento não só de escuta musical, mas também de contemplação do dom da vida.
Wenbin Lyu - Adlez | Teoman Özdoğru - Guitarra elétrica
Tobias Krebs - “Schilf II” for prepared Oboe d'Amore & video | Mariana Flores - Oboé, Pedro Pádua - Eletrónica
Emídio Buchinho - Be Composer | ImprovLab do Lab. de Música Mista JLF*
* Laboratório de Música Mista José Luís Ferreira da ESML (Prof. Jaime Reis):
Catarina Crespo & Fruzsina Szücs |Clarinete
Carolina Carneiro & David Ferreira | Trompa
Teoman Özdoğru (líder do ImprovLab) & Hugo Morais |Guitarra elétrica
António Girão & Pedro Pádua | Sintetizador
Mariana Flores | Oboé
Paula Galiana | Violino
** Grupo de Percussão da ESML:
Francisco Franca
Gonçalo Matos
Gustavo Silva
Gil Matos
Óscar do Fundo
Rui Melo
Tomás Jesuíno
Direcção musical: Prof. Marco Fernandes
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CONCERTO 2 - 4ª feira, 3 Junho 2026 às 20h - Auditório Vianna da Motta
Laboratório de Música Mista José Luís Ferreira da ESML
Pedro Branco - Fantasia | Pedro Branco - Piano , Inês Montóia - Vibrafone
Inspirado pela imagética do poema homónimo de Jorge Alecrim, parente do compositor, Mansilha Branco explora o leque de emoções do artista "remador" no seu diverso e fragmentado psique criativo.
Sérgio Azevedo - Peças de Sinos (seleção) | Sérgio Azevedo - Piano
1. Jubilate
2. Sinos através da Neblina
3. Tintinaabulum
4. A rebate
As peças de Sinos, como o título sugere, baseiam-se, cada uma, na sonoridade complexa dos sinos. Não há, nas 11 que constituem o ciclo, duas peças parecidas, e os títulos remetem igualmente para contextos diversos nos quais os sinos são protagonistas.
Åke Parmerud - Dark Harbour | David Ferreira - Trompa, Pedro Pádua Eletrónica
Hugo Morais - Drawing Straight Lines | Fruzsina Szücs - Clarinete , Hugo Morais - Eletrónica
Carlos Caires - Limiar |Catarina Crespo - Clarinete, António Girão - Eletrónica
Limiar, para clarinete solo e electrónica, resultou de uma encomenda da Fundação Centro Cultural de Belém para um espectáculo de música e dança. Foi estreada em Lisboa (CCB) em Outubro de 2002, interpretada por Vitor Pereira (Remix Ensemble), dançada por Martin Nachbar segundo uma coreografia de Lilia Mestre. Limiar é um caminho que se percorre entre vários pares de extremos: da composição do “ruído” à organização das “notas”, da quase-irregularidade à quase-regularidade, do grave ao agudo, do desfocado ao definido, do vazio ao preenchido. A ideia não é a de procurar uma verdadeira integração entre o mundo instrumental e o electrónico, mas antes propor uma lenta transformação de um no outro.
Christopher Bochmann - Selecção de Canções | Armando Possante- Barítono , Ricardo Martins -Piano
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CONCERTO 3 - 6ª feira, 5 Junho 2026 às 20h - Auditório Vianna da Motta
Lucas Gonçalo - A Minha Voz | Inês Moura - Soprano, Tiago Lemos - Encenação
A Minha Voz parte de fragmentos de poemas de Herberto Helder reorganizados numa nova estrutura textual, complementada por algumas frases originais. A peça desenvolve- se como um percurso simbólico dividido em 22 fragmentos, associados a diferentes fases de um crescimento criativo e artístico. Sem assumir uma narrativa autobiográfica literal, a obra inspira-se num percurso pessoal ligado à música, à memória e à transformação artística. Ao longo da peça surgem momentos de infância, descoberta, tensão, repetição obsessiva, colapso criativo e reflexão, atravessados por uma constante dualidade entre referências da música erudita e elementos associados à música comercial e eletrónica contemporânea.
A eletrónica fixa e a escrita vocal foram construídas diretamente a partir das imagens sugeridas pelo texto. Em certos momentos, a voz aproxima-se da linguagem lírica tradicional; noutros, fragmenta-se em whispering, fala rítmica, respirações, vocal fry e secções parcialmente abertas à interpretação da cantora.
A encenação integra-se diretamente na estrutura musical da obra, funcionando como prolongamento físico da transformação progressiva da personagem ao longo da peça. No final, A Minha Voz encaminha-se para um estado de aceitação e continuidade, assumindo o passado, as referências e as diferentes linguagens musicais não como opostos, mas como partes integrantes de uma mesma identidade criativa.
AnnaLuana Tallarita - Improviso |
Iris Bramberger - They all have lied |
Bernardo Jordão - Revenant |ClusterLab , Carlos Marecos- Direção
I guess it might be the wind...
Lucas Gonçalo - Firemount |ClusterLab , Carlos Marecos- Direção
Firemount é uma viagem sonora inspirada na imagem de uma montanha emfogo — uma força da natureza que desperta, que convoca rituais para conter asua fúria, mas que acaba por descansar sem causar destruição.
O primeiro andamento, Slow Awakening, revela o despertar lento e misterioso da montanha, com ritmos saltitantes e texturas rítmicas que lembram o movimento da terra preparando-se para o que está por vir.
No segundo andamento, The Ritual, o som evolui para padrões repetitivos e hipnóticos, evocando uma cerimônia ancestral destinada a apaziguar a montanha.
Finalmente, o terceiro andamento, The Mountain Sleeps, traz uma resolução serena: acordes longos e harmonias suaves refletem a tranquilidade de uma montanha que adormece, após um susto.
Fernando Lopes-Graça - 2 Canções Populares
Carlos Marecos - Canções Populares
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CONCERTO 4 - Sábado, 6 Junho 2026 às 17h - Auditório Vianna da Motta
Fernando Lopes-Graça - Variações sobre um tema popular português | Kateryna Vovk - Piano
Thomas Adès - Blanca Variations | Kateryna Vovk - Piano
Pedro Branco - 3 gravuras de Hompesch | Pedro Branco- Piano
Daniel Hompesch (1948–2017), artista belga radicado em Portugal, co-fundou a Bienal Internacional de Gravura do Douro, em Alijó. A forte amizade entre o pintor e a família do compositor — natural de Alijó — está na origem desta peça. Como tributo ao artista, Mansilha Branco interpreta musicalmente três das suas gravuras.
Bernardo Jordão - Mirages (seleção) | Dinis Brito - Piano
Mirages é um conjunto de miniaturas que tem como objetivo explorar novas técnicas no piano, que até à data, ainda não tinha explorado. Cada miniatura tenta transmitir uma ideia abstrata do mundo real, procurando explorar uma fórmula/conceção/técnica diferente em cada uma delas.
Miguel Tiago Moura - Pierrot Solar | Miguel Tiago Moura- Piano
Num lugar de Itália, de cujo nome não quero lembrar-me, viveu um homem chamado Pedrolino. Depois atravessou os Alpes, mudou o nome para Pierrot e passou os anos seguintes a sofrer por amor. O problema é que Colombina raramente lhe corresponde: prefere Arlequim, sedutor e ladrão de corações, deixando Pierrot aos seus devaneios, às lágrimas e, com o passar dos séculos, à poesia.
O título surgiu durante a escuta, numa tarde de Maio, da obra-prima de Schoenberg, Pierrot Lunaire, que há muitos anos me faz comichões: parecia haver uma incompatibilidade entre a música que saía das colunas e a luz que entrava pela janela. Partindo dos poemas de Albert Giraud, que inspiraram Schoenberg, proponho uma nova leitura de Pierrot, menos desassossegado e menos lunar, e um pouco mais bronzeado. Esta obra é, por isso, uma homenagem a Schoenberg, mas sujeita a alterações atmosféricas: depois de tantos anos a sofrer, talvez Pierrot mereça um dia de praia.
Inês Pinto - Wind | Joana Pessoa - Guitarra Clássica
“Em passos largos, o vento visita os montes e as aldeias,
as pontes e os faróis. Atira-se para o mar e sopra as ondas lá longe.
Sopra os cabelos da senhora, rouba o balão da criança e faz voar as folhas amarelas.
De vez em quando acalma e refresca as caras molhadas.
É a brisa que se diz suave, mas imprevista. Volta a empurrar a copa das árvores, enrola os lençóis nos estendais das janelas e morre de repente, sem deixar saudades.”
Cristina Pinto
Rose Roberts - Memory of a Place Beyond Time | Gustavo Cruz - Guitarra Clássica
I find the sound of the classical guitar evokes something ancient, a feeling of being
in touch with something that is anthropological in a way. It feels as if communicating with a genetic memory of ritual, dance and community, the bedrock of cultures throughout the world and a practice which has close ties to plucked instruments dating back thousands of years. “Memory of a Place Beyond Time” draws from this inspiration by incorporating techniques and sound worlds from different cultures and who have their roots in popular tradition.
Dinis Brito - Improviso | Dinis Brito - Piano
Lowell Liebermann- Gargoyles | Pedro Nunes - Piano
António Correia - 4 studies for children | Tiago Mileu - Piano
Solange Azevedo - Clarão | TrioAro: Diogo Cocharra - Clarinete, Adriana Gonçalves - Violoncelo, Miguel Perdigão - Piano
“Clarão
O que isto é, viver!
Abrir os olhos, ver
E ser o nevoeiro que se vê!
Nevoeiro ao nascer,
Nevoeiro ao morrer
E um destino na mão que não se lê”
Miguel Torga em "Diário" (1942)
Clarão é um título que sugere uma iluminação repentina. Mas essa claridade contrasta com o conteúdo do poema. Esse contraste sente-se logo nos primeiros compassos com o ataque do piano surgindo como um clarão, seguido de uma reação que procura, tenta entender, explora o desconhecido.
A música acompanha cada verso do poema, conduzindo-nos como num percurso, onde o espaço sonoro reflete o espaço poético. O nevoeiro aqui não é apenas obstáculo, mas também mistério: é incerteza, procura, caminho. É ver e não ver, avançar sem saber ao certo para onde - e encontrar, nessa indeterminação, uma beleza própria. Sempre gostei do nevoeiro, por não permitir ver em redor. Ao mesmo tempo é inquietante e acolhedor, como um manto que nos cobre e envolve tudo à nossa volta. Clarão fala-nos deste paradoxo: a luz que ilumina, mas também revela os contornos difusos da vida, feita de dúvidas e de destinos invisíveis.
